Celular molhado: por que não colocar no arroz
O conselho mais repetido da internet é também um dos que mais atrapalham.
O arroz virou senso comum, e é um dos piores conselhos que circulam sobre celular molhado. Vale entender por quê, porque o problema não é o arroz ser inútil: é ele fazer você perder tempo.
A ideia por trás é que o arroz absorve umidade. Ele até absorve alguma umidade do ar ao redor, mas o líquido que importa não está no ar: está dentro do aparelho, entre componentes, sob blindagens metálicas soldadas na placa. O arroz não alcança nada disso.
E o dano real não é a água em si. É a oxidação, uma reação química que a água inicia e que continua avançando mesmo depois de o aparelho parecer seco. Água com sal, cloro ou sabão acelera muito esse processo.
Então enquanto o aparelho passa a noite no pote de arroz, a corrosão trabalha nas trilhas da placa sem interrupção. Quando ele chega na assistência no dia seguinte, o dano que poderia ter sido interrompido em uma hora já se espalhou.
Há ainda um efeito colateral: pó e amido do arroz entram no conector de carga e nas entradas, e viram mais um problema para resolver.
O que realmente funciona é interromper a reação: abrir o aparelho, desconectar a bateria e limpar a placa com solução específica em banho de ultrassom. Isso remove o resíduo condutivo e a oxidação já formada.
Enquanto isso não for possível, o certo é simples: desligue, não ligue de novo, não coloque para carregar e traga o quanto antes.
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